Não pode ser verdade
Dias Depois
Marcela P.O.V
Já
passara do meio-dia quando decidi ir até a casa da SeuNome, ela disse que iria
me ajudar, mas não temos nos falado muito ultimamente, tenho até a impressão de
que ela está me evitando, porque ela está sempre inventando uma desculpa de que
está muito ocupada e essas coisas e eu sei que é mentira, só não o porquê.
Cheguei ao apartamento dela e o Pedro me
atendeu como sempre, ele estava sem camisa, o que já não é novidade, mas ainda
me deixa desconfortável. Ele me mandou entrar e me sentar enquanto ia chamar a
SeuNome, fiz o que ele disse e esperei. Logo ele voltou com uma cara confusa,
se sentou à minha frente e continuou em silêncio.
Eu:
Então...? – O encorajei a falar, eu não estava ali pra ficara olhando pra cara
dele – Cadê ela?
Pedro:
Ela não está...
Eu:
Como assim? Você mora aqui com ela, não sabia que ela havia saído? – Perguntei
confusa e desconfiada –
Pedro:
Eu estava dormindo no sofá, achei que ela estava aí... – se explicou
indiferente – Mas você pode ficar... A gente ainda não se falou muito desde,
bem... Você sabe – Ele sorriu meio maliciosamente e eu senti que corei –
Eu:
Tudo bem... Mas primeiro acho que deveria vestir uma camisa.
Pedro:
Por quê? Eu te deixo desconfortável? – Falou irônico e logo depois riu e se
levantou – Já volto.
Ele saiu e eu encarei o corredor enquanto
ele não voltava. É verdade, não nos falamos desde aquele dia, mas isso é opção
minha, eu não sabia como encará-lo desde aquilo, só que já não ligo pra isso,
eu só preciso agir como se nada tivesse acontecido e ficará tudo bem. Ele
voltou com uma camisa dessa vez e se jogou do meu lado no sofá.
Pedro:
Então... Como está indo com o namorado? – Disse e riu logo em seguida – Já
descobriu quem é... “a outra”?
Eu:
Não fala assim! – O repreendi e continuei – Não, eu não descobri e parece que
ele está cada vez mais distante...
Pedro:
Oh... E como... – Ele foi interrompido no meio da frase –
SeuNome entrou distraído, percebi que seus
olhos estavam um pouco vermelhos, assim que me viu levou um susto e tentou
disfarçar.
Eu:
Oi, SeuNome!
SeuNome:
O que está fazendo aqui? – Disse seca e sem ao menos se mexer –
Eu:
A gente pode conversar? – Tentei ignorar a frieza dela –
SeuNome:
Agora não – Disse indo em direção ao quarto –
Eu: Mas
você disse que me ajudaria com... – Ela me interrompeu –
SeuNome:
Olha, garota, eu não to com paciência pra você agora! Vê se me deixa em paz!
Não digo nada, só ouço o barulho da porta
batendo. Nossa, eu nunca vi ela assim, ta certo que eu ainda não a conheço
muito bem, mas... Olhei o Pedro e ele estava tão confuso quanto eu, será que
nem ele sabe o que esta acontecendo com ela?
Eu:
O que foi isso?
Pedro:
Ela está de mal-humor...
Eu:
Ah, sério? Nem notei – Digo irônica – Eu quis dizer, porquê? O que ela tem pra
ficar assim?
Pedro:
Sei lá... Deve ter brigado com o namorado – Disse rindo e eu o encarei –
Eu:
Mas você é o namorado dela – Ele ficou sério e me encarou também –
Pedro:
Ah é... – Tentou disfarçar – Então eu não sei, deve ser TPM.
Eu:
Bom... – Me levantou – Eu já vou indo já que ela não pode me ajudar...
Pedro:
Espera – Ele se levantou imediatamente – Eu posso te ajudar...
Eu:
Não... Você não – Fui até a porta e ele me acompanhou –
Pedro:
De mim você só quer uma coisa, não é mesmo – Sorriu maliciosamente de novo –
Eu:
Pode parando, isso não vai acontecer novamente – Abri a porta, só que ele a
fechou antes que eu saísse e me prensou na mesma – O... O que está fazendo?
Pedro:
Nada... – Sorriu e com um tempo eu acabei sorrindo também e ele me beijou logo
em seguida –
Eu:
Você ficou louco? A SeuNome ta lá dentro!
Pedro:
Eu sei e não estou nem aí – Riu e abriu a porta pra mim – Eu te ligo mais
tarde...
Eu não disse nada, só saí e ele mesmo
fechou a porta, droga, não era pra isso acontecer de novo, eu tentava esquecer,
mas quer saber? Que se dane, eu já fiz tanta coisa pior que isso parece até
brincadeira...
Saí de lá e pensei em ir até a casa do
Michael, mas achei melhor não, ele ia ficar ignorando como tem feito esses
ultimo dias, ele tem estado de muito mal-humor ultimamente, ta até pior que a
SeuNome e eu não sei nem o porquê. Eu está indo até o ponto de taxi quando
esbarrei em alguém, eu simplesmente bufei e ia continuar andando, mas alguém
diz algo:
Xxx:
Marcela?! – Olhei e, juro, fiquei muito surpresa por ver que era a Mari, eu já
não a via há muito tempo – Minha nossa, é você mesma.
Eu:
Pois é... Agora, se me der licença - Me virei, mas ela fez virar para ela de
novo quando disse:
Mari:
Acho que esse é o momento em que todo mundo volta e se encontrar... – Disse
como se não fosse nada, mas despertou minha curiosidade –
Eu:
O que quis dizer com isso?
Mari:
O que você entendeu...
Eu:
Mas de quem está falando?!
Mari:
Ah, você não soube quem voltou? – Me olhou curiosa –
Eu:
Não? Desembucha logo, garota! – Digo impaciente –
Mari:
Nossa, que grossa! – Disse nojenta e se virou pra sair andando, mas eu segurei
em seu pulso –
Eu:
Espera... M-me desculpa – Falei envergonhada, odeio me desculpar, porque
afinal, eu nunca estou errada mesmo, mas foi necessário – Por favor, fala quem
é?
Mari:
Bom, não sei se vai gostar de saber, afinal, é a pessoa que mais te odeia com
certeza – Ela riu e isso me deixou mais aflita –
Eu:
Quem é?! Fala logo!
Mari:
A SeuNome, Marcela... A garota da qual você roubou o namorado e depois a
humilhou – Ela disse com uma expressão séria e eu não digo nada – O que foi?
Não vai dizer que não se lembra dela?
Eu:
Eu não queria me lembrar disso... – Confessei derrotada – Era só isso? Estou
indo.
Mari:
Ok...
Ela ainda saiu andando antes me mim, eu
estava mais preocupada em pensar numa possibilidade... A SeuNome voltou e...
Agora que eu me toquei que ela é incrivelmente parecida com a outra SeuNome, de
que eu acabei de sair de sua casa, mas... Não, não pode ser a mesma, ela nunca
ficaria tão próxima a mim assim, é impossível, ela me odeia...
Peguei um táxi e fui pra casa tentando não
pensar muito nisso, cheguei lá e fui para o meu quarto, me deitei e acabei
cochilando de tanto que fiquei pensando e com aquela duvida na cabeça. Só
acordei com meu celular tocando, eu me levantei, me apoiei na janela e olhei
para a antiga casa da SeuNome enquanto atendia o telefone:
INICIO
DA LIGAÇÃO
Eu: O que você quer?
Pedro: Nossa... É bom falar com você também, ta?
Eu: Desculpe... É que você me acordou, não me culpe! Mas
o que foi?
Pedro: Bem, a SeuNome saiu agora, não quer vir pra cá?
Eu: Tem certe...? – Me interrompi quando vi a SeuNome
descendo a rua – É, ela está aqui na minha rua, sabe onde ela vai?
Pedro: O que? Não, o que ela foi fazer aí? – Ele parecia
aflito e eu continuei olhando até ela entrar na antiga casa da SeuNome, quer
dizer... Agora já tenho certeza que é ela – Mah, o que foi?
Eu: Nada, eu... Eu vou desligar, ta bom?
Pedro: O que? Por quê?
Eu: Tchau...
FIM
DA LIGAÇÃO
Droga, é ela mesma, mas... Eu só não
entendo porquê, não tem como ela ter me perdoado e é impossível que ela seja
tão estúpida quanto eu para não lembrar. Nossa, como eu fui burra, eu deveria
ter notado, sim, ela mudou bastante, está quase irreconhecível, mas mesmo
assim...
Não tive muito o que pensar, apenas saí e
fui até a casa dela, eu precisava tirar aquela história a limpo, precisava
saber o porque.
Continua...
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